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sábado, 9 de fevereiro de 2013

Adote as campanhas: “Se dirigir, não tuíte” e “Se usar o Facebook, não dirija”



Vector Freepick

Adote as campanhas: “Se dirigir, não tuíte” e “Se usar o Facebook, não dirija”:
Já tinha me acostumado a uma São Paulo menos caótica até que o período de férias escolares acabou. E a volta às aulas, como acontece todos os anos, cria algumas cenas pitorescas. Nesta manhã, um SUV (o novo tanque de guerra das grandes cidades) cismava em não manter-se em sua faixa na avenida. Dentro, uma mãe segurando o volante com uma mão e digitando no celular com a outra. No banco de trás, os dois filhos repetiam os gestos da progenitora, teclando alucinadamente. Por um momento, pensei que os aparelhinhos fossem controles de videogame sem fio, uma vez que o carro comia vorazmente as faixas intermitentes da avenida feito o PacMan do meu saudoso Atari. O único ser que observava a via à sua frente era o pobre do cachorro, correndo de um lado e de outro, um tanto quanto ansioso por não poder abrir a porta e sair daquele inferno.
A caminho do interior do Estado dia desses, uma flecha de prata me ultrapassou enquanto digitava algo no celular. Fui ultrapassado por um tuíte!
Comentei isso com um jornalista amigo que consegue ser mais viciado em tecnologia do que este japonês aqui – e, olha, cumpro à risca meu estereótipo. Ele disse que eu ainda estava “pensando com a cabeça do passado”. E que essa interação a todo o momento, com diferentes camadas de relacionamento imbricando-se umas nas outras, criam uma única teia de vivência, à qual não é mais possível “conectar-se”, porque já estamos conectados, com trocas ocorrendo 24 horas por dia, 7 dias por semana…
Bem, o fato é: para fazer tudo isso do parágrafo acima, até onde eu saiba, é necessário estar vivo, correto? Então, uma coisa precede a outra em importância, certo?
Eu já pratiquei essa estupidez. E quando refleti sobre isso, senti-me o mais completo idiota, digno de pena.
Constatado isso, este blog vai abraçar as campanhas “Se dirigir, não tuíte”, “Se usar o Facebook, não dirija” e “Quem não manda SMS ao volante, chega inteiro em casa”.
Você que gosta de fazer essas coisas enquanto dirige é livre para não participar. Mas peço que, caso sofra um acidente grave, caso mate ou cause sequelas permanentes em alguma pessoa que não tenha nada a ver com sua incapacidade de viver em sociedade, por favor, poste as fotos no Instagram e explique o que fez.
Se curte tanto compartilhar tudo o que faz e se conectar a todo o momento sem o mínimo de bom senso, que o seu infortúnio – ao menos – sirva para lembrar que as pessoas sangram, quebram e morrem. E, ao contrário do que acontece nos jogos eletrônicos, elas só têm uma vida.

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Adotemos a campanha do Sakamoto...Mais vida, menos acidentes, bom-senso..
Sonia Maria
Atom

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Deficiente é o sujeito que se acha “normal” e exala preconceito



Deficiente é o sujeito que se acha “normal” e exala preconceito:
“Tudo bem o deficiente querer ir para a balada. Mas vir aqui fora e atrapalhar, aí já é demais.”

Por trás da pessoa com deficiência que utiliza uma cadeira de rodas em São Paulo se esconde uma espécie de super humano. Pois, apesar da cidade ser extremamente hostil a ele ou ela, com calçadas irregulares, ausência de rampas e banheiros especiais, transporte (escasso) que se diz adaptado mas não é, escadas onde deveriam haver elevadores, como se parecesse um toque de recolher a todos os que possuem dificuldades de locomoção, eles seguem suas vidas. Isso sem contar o principal problema: o preconceito daqueles que acham que fazem um favor por tolerá-los.
A frase acima foi dita em alto e bom som e ouvida no fumódromo da Clash, balada paulistana, na noite desta terça-feira. Um cadeirante teve dificuldade para ir a esse ambiente da casa por conta da lotação, gerando a reação do homem branco bípede em questão. A jornalista que me relatou o fato ficou horrorizada. Mas foi a única.
“Afinal de contas, muitos de nós, cidadãos de bem, já se cansaram de serem molestados pela presença incômoda desse pessoal. Por que eles vêm perturbar meu senso estético? Por que eles têm que vir e me lembrar que este corpo que usamos é frágil e está sujeito a não funcionar como gostaríamos? Por que a cidade tem que gastar meus impostos para que esses aleijados saiam de casa e venham me perturbar com suas rodas sujas? Até as piadas do meu humorista preferido estão proibidas porque gozam da cara desse pessoal. O politicamente correto me enoja. Cadê a minha liberdade de poder tripudiar essa gente? Eu, que sou perfeito.”
“Japa, você está exagerando. A frase foi dita por um panaca. Esse preconceito todo está nos seus olhos apenas. São Paulo é uma cidade que respeita as diferenças.” Como diria Maria da Graça Meneghel: Aham, Cláudia, senta lá.
Deficiente é o frasista preconceituoso. Ele deve achar que garantir direitos iguais é todo mundo ter o mesmo espaço no fumódromo e não garantir que todo mundo tenha acesso ao local. Deve achar que o cadeirante queria ter algum privilégio quando, em verdade, ele queria apenas poder fumar seu cigarro. Queria até sentir raiva do sujeito, seria mais fácil. Mas inútil. O que tem que ser feito é, com paciência, explicar que é feio falar e pensar esse tipo de coisa. E que o amiguinho sobre rodas tem direito a viver as mesmas coisas que ele. Assim, talvez, com muito amor e carinho, um dia, o menino possa crescer e aprender o que é viver em sociedade.

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Ótimo artigo do Sakamoto,  com uma reflexão profunda,,,, uma mensagem  para os pais, educar os filhos sobre o assunto. .
]Sonia Maria