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terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

O interior do invisível - Rumi

O interior do invisível - Rumi:
Esquece o mundo e comanda o mundo.
Sê a lâmpada, o barco salva-vidas,
a escada.

Sai de tua casa e, como o pastor,
ajuda a curar a alma do teu próximo.
Entra no fogo espiritual
e deixa-te calcinar.

Sê o pão bem assado, sê o senhor da mesa.
Vem, sacia teus irmãos.
Tu, que tens sido a fonte da dor,
sê agora o deleite.

Viveste como uma casa sem alicerces.
Sê agora o Um que perscruta
o interior do invisível.

Assim que me calei,
uma voz chegou aos meus ouvidos:
"Se te tornas isto, serás aquilo."

Silêncio!
E depois mais silêncio.
Não uses a boca para falar.
A boca é para provar dessa doçura.


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O melhor da poesia persa. Capaz de retratar o mundo do invisível, do infinito, da beleza da dimensão espiritual do homem, do propósito e sentido da vida e da morte, do encontro da alma com Deus...
Postagem do Blog- Doce como a chuva- clique no link e abra o Blog.

Sonia Maria 
Atom 

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Ouvir Hafez na Mesquita Azul

Ouvir Hafez na Mesquita Azul:
 
Hafez foi um poeta sufi que cantou o amor há mais de 700 anos e é ainda hoje uma das personagens mais queridas dos iranianos. A primeira vez que o percebi estava há pouco mais de 24 horas em terras da antiga Pérsia e visitava a mesquita azul, em Tabriz.
Enquanto olhava para os mosaicos originais recuperados das ruínas deixadas por um terramoto no século XVIII, um casal jovem acerca-se de mim e cumprimenta-me. Seguem-se as habituais perguntas e quando lhes digo o itinerário que pretendo fazer, o rapaz diz-me: "Em Shiraz não deves perder o túmulo de Hafez, o nosso mais importante poeta".
Nos guias vem escrito que todos os iranianos conhecem trabalhos do poeta e por isso pego na deixa e pergunto-lhe: "Conheces algum poema de Hafez?". O rapaz sorri, concentra-se e recita, calmamente, deixando o ritmo do poema enlear-nos. Deixo invadir-me pelo som das palavras em farsi a ecoar nas paredes da mesquita.
Aurélio Buarque da Holanda traduziu para português a poesia de Hafez, como este:
O Sorriso

"Uma destas noites, um sábio me falou: ‘É preciso conheceres o segredo daquele que nos vende o vinho.'

E ainda: ‘Não leves nada a sério. O mundo carrega de enormes fardos aqueles que dobram a cerviz.'

Depois, estendeu-me uma taça onde o esplendor do céu se refletia tão vivamente que Zuhra se pôs a dançar:

'Filho, segue o meu conselho; não te inquietes com as noites deste mundo. Guarda as minhas palavras: elas são mais raras do que as pérolas'

'Aceita a vida como aceitas essa taça, de sorriso nos lábios, ainda que o coração esteja a sangrar. Não gemas como um alaúde; esconde as tuas chagas
Até o dia em que passares por trás do véu, nada compreenderás. Não podem ouvidos humanos ouvir a palavra do anjo

Na casa do amor, não te envaideças das tuas perguntas, nem da resposta'.

Vinho, ó Saki, mais vinho: as loucuras de Hafiz foram compreendidas pelo Senhor da alegria, Aquele que perdoa, Aquele que esquece."

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